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segunda-feira, 1 de junho de 2015

O dia que fiquei invisível

O dia que fiquei invisível

Este texto da  Sra. Silvia Castillejon Peral, me fez imaginar envelhecimento. Estou na terceira idade, ainda bem saudável e trabalhando. Mas parando um momento para meditar , o texto é bem realístico. Criamos filhos para o mundo, os preparamos para seguir em frente, formar família, fazer carreira e viver a vida. Caberemos nestas vidas? So o tempo responderá. Teremos saúde para ficarmos só? Só o tempo respondera.  A partida sera tranquila? Esta resposta ficara para o ultimo dia. Ate la vou vivendo, trabalhando ,amando, convivendo .
Mas este texto realmente nos convida a repensar a vida.

“Perdi a noção do tempo. No meu quartinho não há mais folhinhas, na memória tudo está em reboliço. Coisas antigas foram desaparecendo como por encanto. Também fui apagando sem que ninguém se apercebesse. Morava com minha filha casada, porque sou viúva. Quando a família cresceu, me trocaram de quarto, para dar espaço ao novo membro que acabara de nascer. Passaram-me para a edícula, no fundo do terreno, com as tralhas da casa. Para serem “gentis” prometeram trocar o vidro quebrado da janela. Mas se esqueceram. Nas noites frias, o vento gelado aumenta minhas dores reumáticas.

Um dia minha voz desapareceu, os filhos e netos não me respondiam. Fiquei sem voz, pensei. Por sua vez, eles conversavam sem olhar para mim, como se eu não existisse. Tento lhes dizer algo, na esperança que apreciem meus conselhos, mas sou ignorada. Não respondem e nem sequer me olham. Nestas condições, me retiro de fininho e vou para meu canto antes de terminar a caneca de café.  Fiz isto várias vezes, para compreenderem que estou magoada e então pedirem perdão...  Mas ninguém vem. Depois de mais uma noite de insônia e mágoa tento lhes dizer: - Quando morrer, ai sim vão sentir minha falta.  Neste momento meu neto em deboche diz:  - Estás viva ainda vó?

Numa certa manhã, um dos meninos entrou no meu quartinho, jogou umas rodas de bicicletas, sem notar minha presença com ao menos um oi vó. Mas nada disso aconteceu.  Então me convenci, fiquei invisível.

Houve um dia quando os meninos me disseram que no dia seguinte iríamos todos ao campo, neste raro momento me tornei visível novamente. Apalpei meus braços e me reconheci, fiquei feliz. Sorria como criança de contentamento. Fazia tanto tempo que não saia!

Fui a primeira se levantar. Arrumei-me logo para não correr o risco de atrasá-los. Em pouco tempo, todos entravam e saiam da casa, jogando bolsas e brinquedos no carro. Eu já estava pronta, feliz. Esperei aguardando me chamarem. Mas nada disso aconteceu. Devo ter ficado invisível novamente – pensei. Procurei me justificar, a família cresceu e não sobrou lugar para mim.

Neste momento, caí na real e tive vontade de chorar. Mas pensei, são jovens, riem, sonham, se abraçam, se beijam. E eu... bem, antes beijava os meninos e as meninas, me agradava tê-los nos braços, era um pedaço de mim continuando a vida. Ah, até cantava canções de ninar para que fossem absorvidos pelo sono.

Um dia minha neta acabava de ter um bebê, minha bisneta! Que alegria.  Sem cerimônia me disse que não era bom que os velhos beijassem os bebês por questões de higiene. Poderia contaminá-los. Desde então, não me aproximei de tanto medo de contagiá-los! Mas eu os bendigo e a todos perdoo, porque... que culpa eles têm de eu ter-me tornado invisível? “


Depois desta história, me convenci de que existem milhões de seres ocultos, zumbis invisíveis nos asilos e hospitais porque se tornaram irrelevantes, ou um estorvo, ou um nada para a sociedade e para o progresso. Tornaram-se socialmente invisíveis. Queira Deus que muitos cheguem pelo menos a ser invisíveis, porque outros nem lá chegam, atropelados pela indiferença e pela ausência de amor.”

sexta-feira, 29 de maio de 2015

“Dançando sobre cacos de vidro”

“Dançando sobre cacos de vidro”

Eu não sei se este titulo me faria olhar o livro. Ele me caiu nas mãos, minha filha tinha lido e me deu. Ele andou no meu carro por semanas. Um dia resolvi  ler este livro.
Ele se inicia mostrando o casal , ele com transtorno bipolar grave e ela com historia genética de câncer de mama agressivo. Eles se apaixonam....sem tirar o suspense, leiam.
Uma historia de amor. Uma historia quase  impossível de amor.
A autora Ka Hancock é uma enfermeira que trabalha na psiquiatria, e este é seu primeiro livro publicado.
O livro é minucioso em detalhes, dos pesonagens, locais e situações sem ser maçante. Eu diria que é um livro gostoso de se ler.
Um livro so prende minha atenção e merece ser relido se eu conseguir “entrar” na historia, imaginar, sentir, me emocionar.
“Agora sei a diferença entre tristeza e depressão. A depressão clinica não tem uma origem – simplesmente existe. A tristeza intratável não tem nada a ver com sinapses, química cerebral ou nutrientes essenciais; ela é fruto de algo. É o produto da injustiça e da impotência. Pode ser anestesiada, suponho , mas depois que o efeito da medicação passa, fica ali, inalterada, como um intruso que invadiu nossa casa e continua nela, manhã após manhã , ao acordarmos. Se pudesse escolher, eu preferiria estar deprimido. Da depressão já voltei.”
Este pequeno trecho define a profundez do tema e da historia.
Eu me emocionei  . Não há palavras para descrever a emoção por tras dessas paginas, eu chorei em varias etapas do livro, especialmente no final.
É uma emocionante lição de vida, amor e esperança para qualquer um.

É magnifico!!

São Kim Degun

São Kim Degun

Tudo acontece em São Paulo!!
Eu sempre me surpreendo com São Paulo. Em maio estive a passeio em São Paulo e no domingo dia das mães, estava so . As filhas e eu comemoramos dia 09 meu aniversario e o dia das mães conjuntamente.
Na manhã de domingo eu decidi assistir a missa. Ao chegar no Mosteiro de São Bento a missa estava no final. Eu fui tomar café e ai fui andando ate a Catedral da Sé.
 A manhã estava fresca e com uma leve garoa...bom para caminhar. Ao chegar na praça da Sé eu a vi lotada, e na lateral da Catedral uma van da TVCA. Eu pensei comigo: a missa das mães sera linda.
Entrei. Uma grande surpresa, a igreja esta bem cheia e a imensa maioria dos fieis são coreanos.
Na entrada uma senhora em traje típico , com uma cesta nas mãos me entrega um terço e um cartão. O cartão me conta que estamos na missa de comemoração do 50˚ aniversario da Paroquia coreana em São Paulo, com homenagem a São Kim Degun.
Eu entrei e me sentei. Olhando ao redor  vi as mulheres ( muitas ) em roupas típicas , um vestido longo meio aberto, saia meio “armada”, em lindas sedas coloridas e blusa de manga longa, e cintura alta. As mulheres estavam bem maquiadas. Lindas.
O padre, coreana, as madres, coreanas, o coral, coreano, tudo isto junto ainda não tinha visto.
Entraram crianças com lanternas e roupas tradicionais , a seguir o andor com São Kim Degun.
A missa foi em português, os cânticos em coreano. O visual das mulheres em trajes típicos maravilhoso.
Um amigo aqui, jovem, diz que as coisas diferentes “caem” na minha vida. Eu prefiro entender como :
UM PRESENTE



As fotos sao poucas porque eu so fotografei antes da missa. Eu nao tiro fotos em oficio religioso



quinta-feira, 28 de maio de 2015

Intolerancia

INTOLERANCIA

O ser humano sempre me surpreende. Estive de férias em São Paulo. Eu amo São Paulo, gosto de andar, gosto de passear.
No domingo de manha passeando na feira de artesanato da Praça da Republica, eu parei em uma barraca para tomar uma agua mineral. Um senhor de idade avançada se aproxima de mim e pede uma moeda pra completar e comprar um lanche . Ele esta com 2 reais na mão, o espeto de carne custa 4 reais.
Ele é bem idoso , de roupas bem comuns mas esta limpo e sem cheiro de bebida alcolica.
Eu me dirijo a moça da barraca e peço a oferta : 2 espetos e uma garapa por 8 reais. Ela se vira para pegar um resto sobre a mesa, como se ele não merecesse a minha oferta. Enfureci.
Fui enfática e disse: a senhora me sirva com presteza, educação e me entregue o que pedi. Quero estes dois de qualidade, no pratinho como todos estão sendo servidos e com guardanapos. É isto ou uma denuncia de discriminação. Pode escolher. E complementei : e vamos comer na mesa.
O senhor comeu com fome e prazer. Neste curto período de tempo pode me contar que não tem mais família, dorme em um albergue , como quando da, e as vezes uma senhora lhe fornece comida mesmo, como hoje. Ele me conta que a “velha “ morreu de doença ruim e os filhos morreram antes dele, o que ele acha a única ingratidão de Deus em sua vida. E me diz que ainda tem esperança de voltar para Minas Gerais.  Ele me agradeceu e eu ganhei tambem um olhar fulminante da moça da barraca.
Eu fiquei pensando em como pessoas podem ser intolerantes. As vezes pequenos gestos ofendem enormemente. Eu senti vergonha . Eu me senti indignada . Eu senti uma dor imensa.

Como pode alguém agir com dois grandes desrespeito: desrespeitou o meu pedido de cliente e desrespeitou um senhor de idade. A  este desrespeito eu não perdoo.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Theatro Municipal de Sao Paulo

Maio de 2015

    “Ouvido se não tem, aprende se a ter”. Uma frase estranha que me reportou à musica. Não se nasce com o dom de ouvir e gostar de boa musica, aprende-se ouvindo, prestando atenção, tendo acesso e com vontade pessoal, estudando e conhecendo. Apenas para ouvir só se faz necessário a musica e a disponibilidade em ouvi-la. Para compreender e desfrutar do que se escuta pode ser preciso um pouco mais.
     Como ouvir uma sinfonia em todo seu esplendor e “entende-la”, como perceber as nuances do som, as melodias do conjunto? A resposta embora pareça simples não o é. Uma sinfonia é uma obra grandiosa na qual o autor conta uma historia através das melodias, em alguns movimentos ele apresenta a introdução, depois desenvolve o tema e depois conclui, finalizando sua idéia.
    


Neste meu aniversario , eu me dei um presente . Fui ao Teatro Municipal de Sao Paulo para ver, assistir e me deleitar em um concerto.  O passeio começa ao adentrar o hall de entrada, magnifico, impactante em seu esplendor. É uma viagem no tempo. LINDO.
Eu comprei um ingresso na segunda fila , a poucos passos do maestro e do violinista que fui ouvir e ver.Fui ouvir o concerto para violino e orquestra  N 5 K 219de Wolfgang Amadeus Mozart , com o solo de violino de Nikita Boriso-Glebsky. Um violinista estupendo, russo.
Ele nao toca com tecnica exemplar , ele toca com a alma , a perfeição é absoluta, seu rosto se contrai. Ele vive a musica que toca e toca com o coração.
Ha tempos eu nao me emocionava tanto. Eu chorei de emoção. Ai me lembrei de meu pai , que tanto amava a musica e tanto amava Mozart.Em 2004 escrevi o texto abaixo e realmente é mergulhando na musica que se sente, é revendo que se entende.


"Para ouvir um concerto o conhecimento teórico ajuda, mas não é imprescindível; embora que quanto mais conhecemos da teoria musical, da construção harmônica de uma peça, da utilização dos tons maiores para expressar força, alegria, e emoções fortes ou menores para expressar tristeza, melancolia, luto, um pouco mais podemos entender o caminho que o autor pode ter tentado tomar, o que tentou transmitir.  O conhecimento permite o entendimento, mas é difícil que ocorra este entendimento durante a execução da peça musical, só após o termino é que conseguiremos uma “visão de conjunto” da obra. O conhecimento teórico permitiu ai o entendimento da construção da sinfonia e a seqüência melódica e a harmonia utilizada, mas se permanecemos atrelados às teorias durante a execução o que não conseguimos foi ouvir a musica.

    Um concerto se inicia, e se nos permitimos nos desatrelar da teoria e nos deixarmos “ser invadidos” pelo som conseguiremos perceber a linha melódica principal, ouvindo-a como a maioria o faz horizontalmente apenas acompanhando a melodia, mas podemos escutar também estruturalmente, percebendo os temas que se imbricam em um sentido vertical com varias linhas melódicas que se reúnem e juntas constroem a harmonia da peça. È como se fossem duas pessoas conversando, uma fala (a primeira linha melódica) e a outra responde (a segunda linha melódica) e seguem repetindo, se imiscuindo, invertendo, se unindo, se completando.  Em separado seriam 3 a 4 “sentenças musicais” diferentes, mas elas ao se juntarem quase imperceptivelmente constroem a sinfonia. É preciso deixar que as linhas melódicas surjam uma a uma para ai conseguir considera-las em seu conjunto harmônico. Não é possível esta percepção atrelada à leitura teórica da peça, é necessário um certo distanciamento do pensamento teórico para que a musica pura seja percebida e considerada. É como se o autor tivesse encerrado segredos em sua musica que só podem ser percebidos por aqueles que aprendem a ver abaixo da superfície."

terça-feira, 28 de abril de 2015

..."Devia logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga..." Mia Couto

Esta frase de Mia Couto faz parte do meu quadro de sonhos a realizar. É um porta mensagens em frente do computador onde coloco fotos e vou colocando meus sonhos a realizar.
Estou na frente dele.
Estou triste.
Tem muitos sonhos e sei que nao vou realizar nem mesmo a metade deles, mas visitar o Nepal sempre foi um grande sonho. Agora frente a esta imensa tragedia o sonho sera protelado , quem sabe cancelado
Sempre nutri o desejo nao de escalar , porque nao tenho o preparo, mas de olhar numa proximidade segura, quem sabe no sopé das montanhas o Himalaia.
Eu tenho um apreço muito grande pelo Budismo, embora seja catolica de formação e de coração. Adoro yoga e pratico sempre, adoro meditação e amo o silencio.
Andar pelos milenares templos sempre foi um sonho. Ve-los em ruinas me doeu o coração. A pior dor é ver a desolação no rostos daquele povo.
O mundo esta numa grande convulsao de crenças e valores e a intolerancia religiosa e de raça rensce e cresce a cada dia. Ai vem esta catastrofe que dizima milhares , mortos em minutos , sem defesa, sem nem tempo de ver o que estava acontecendo.
Eu sou uma crente, nao no sentido religioso , mas no sentido de crer que a vida pode ser boa, que temos chance de construir um mundo possivel de se viver.
É utopico eu sei , mas é um sonho que vou colocar junto aos outros.
Quero voltar a Alemanha, quero conhecer a familia Krisam, quero ir ao Caribe, conhecer Paris, conhecer Praga, quero andar em Nova York. Quero tempo para ler as poesias de Neruda. Quero tempo para o caminho de Santiago . Quero subir a Machu Pichu. Quero terminar o meu livro . quero ler muito. Quero ouvir a obra toda do Beethoven. e ainda quero conhecer o Nepal.
Vou fazer 62 anos em 09 de maio, mas ainda me sinto tao jovem ....Talvez sejam os sonhos que passo pelo rosto em cada manhã...

segunda-feira, 27 de abril de 2015

a grande familia

A grande familia

Passei alguns meses longe deste blog. Problemas técnicos. O meu genro, para quem o computador parece coisa simples( para mim é um monstro , daqueles que ficam embaixo da cama) resolveu . I’m back. Ou melhor Ich bin zurück.
Estes meses , desde o carnaval, estive meio adoentada, embora continuasse trabalhando, tive que desacelerar.
Tendo tempo, aumentou o pensamento.
Eu sempre tive a sensação de pequenês. Uma família pequena , com pouca expansão, pouco compartilhar. Sempre foi meu pai, minha mãe, minhas irmãs, meu tio Chico e Tia Maria e as primas por parte de mamãe. Os outro parentes de mamãe sempre longe e pouco contato. Os parente de papai, na Alemanha, so historia contada.
No meu primeiro casamento , vieram três filhas. Das irmãs vieram três sobrinhas, e do lado do marido uma família enorme. Mas era agregada, não minha. O avô me acolheu, a avó, mais ou menos e uma cunhada se tornou irmã de coração.
Eu não tenho o porque de meu pai não nos ensinar nem uma palavra de sua língua materna , o alemão. Mamae era brasileira nata e também não aprendeu a língua. Meu pai falava em alemão com amigos, escrevia em alemão aos parentes e amigos alem mar. Não falava em casa, não lia em alemão, em voz alta, não cantava em alemão. Ele se foi há 34 anos e não sei a resposta.
Há menos de um ano , após uma busca , e ate uma viagem à Alemanha, na net encontrei um primo . Aí se descortinou toda uma família, 1primo, duas primas , seus filhos e genros ( que ainda conhecerei um dia) e a historia completa dos antepassados.
Este mergulho no passado, na historia e o conhecimento da família de hoje me fascinou.
Eu tenho uma família aqui , uma família materna no Brasil e uma família paterna na Alemanha.
Ich danke Gott!

Eu agradeço a Deus!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Antigamente...

Antigamente...

Que vagares incertos, passam as horas e às vezes dias e me encontro de novo nesta viagem em busca de minhas memorias. Desta vez estou não criança mas em uma brincadeira dançante, nossa que antigo, brincadeira dançante em fim de tarde e começo de noite em que cada um levava um pratinho de salgado e uma tubaina e se paquerava muito , com olhares furtivos , e quem sabe ate um pedido para dançar .No começo da brincadeira muito Roberto, Erasmo e Vanderleia na vitrolinha , depois Beatles e lá pelas oito horas , quase hora de ir embora, musica lenta , suave para dançar juntinho. Que lembrança , a paquera já ia lá pelas suas varias semanas de olhares roubados , de recadinhos e veio o convite para dançar, um jovem dois anos mais velho, mais velho..., lindo e só de pegar na minha mão , veio aquele frio na barriga e aquela emoção da primeira vez,minha primeira dança junto de um rapaz e me senti pesada e flutuando ao mesmo tempo , sumiu a sala e o mundo e não me lembro de muita coisa , de palavras não me recordo , só de um mergulho em seus negros olhos e a sua mão úmida segurando a minha e a imensa vontade de parar o tempo , congelar o momento e  nem sair do lugar.
Tempo. Tempo que nem sei quanto e o sim ao pedido de namoro, naquela época o pedido era formal , e voltar para minha casa de mãos dadas, ate o portão . O sabor daquele beijo roubado e rápido durou tempo, muito tempo. Como é bom recordar que houve um primeiro beijo. Como é bom recordar que foi bom o primeiro beijo. Namoro de passear na praça de mãos dadas, de beijos roubados no escurinho do cinema, de ganhar muita rosa roubada de jardins alheios . Durou pouco. Dura ate hoje a sensação gostosa de que é possível sentir o mundo em duas mãos que se tocam , se buscam e se encontram. Nada pode ser mais sensual que duas mãos que se descobrem , dá para se estar inteira em um toque.
             Toque de seda e de areia , de secura e umidade, de suavidade e força, de prazer infinito em um momento.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Uma poesia


SER, PARECER
Mia Couto

Entre o desejo de ser
e o receio de parecer
o tormento da hora cindida

Na desordem do sangue
a aventura de sermos nós
restitui-nos ao ser
que fazemos de conta que somos.





Acordei pensando na vida...
            Eu acordei muito cedo, levantei e fui para a área do fundo em silencio. Já que acordei pensei comigo mesma, vou tomar um café e escrever. Escutar o barulho do vento e o cantar dos pássaros é sempre uma benção na minha vida.
            Lembrei-me de uma frase que me acompanha há anos : “Você deve amar a vida como ela é, não como gostaria que fosse”.  Esta frase não é dele mas ela vai sempre me reportar ao meu amigo Ricardo, ou frei Jose como se tornou nos últimos 30 anos de vida. Uma pessoa de muita fé... não  apenas a fé religiosa,mas a fé no ser humano, na bondade humana .Ele viveu anos na Africa, em campos de refugiados e sempre me dizia que lá é onde se vê e se vive solidariedade. Quem tem divide. Divide um pão, divide um abraço, divide as dores e as alegrias. Ele jamais se readaptou a trabalhar com adultos, nem se adaptou a simples vida monástica. Ele  ao retornar ao Brasil optou em  trabalhar com jovens, tanto na vocação sacerdotal, como com os jovens de rua em um belíssimo trabalho. Ele sempre me disse que a vida não da para ser planejada. Planejamos o trabalho, o dia a dia.Planejamos uma festa . Planejamos uma viagem, uma visita, um passeio. Sempre dá certo? Não, coisas ocorrem, muda o rumo. Re-planejar? Conformar-se? Não, apenas viver o que vem.
            Há um tempinho tenho me debruçado sobre como estou vivendo a minha vida. Eu estou tentando respeitar  um “espaço  de tempo”só meu. Um tempo para resignificar a minha vida.
            Eu trabalho muito. Eu gosto do meu trabalho. Mas eu também faço muitas coisas. Ai eu me canso .
            Ter não é sinônimo de felicidade. Ter o melhor carro, a bolsa da mais famosa grife , a casa enorme e mobiliada pelos melhores decoradores não promove alegrias. É necessário desfrutar do que se tem.
            Os nossos dias são de correria ,correria atrás de ganhar dinheiro para comprar , e se trabalha tanto que ao fim de cada dia o que se quer é dormir. Os sonhos vão ficando para trás.
Por isso neste final de ano, me dei um período de 2 semanas so meu. Eu e eu,  meus gatos , o namorado,

e uma boa musica, um cha, um vinho, tempo para uma visita, arrumar meus álbuns de fotos e de memorias.
Um período atoando...
           
            


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Mahnmal Trier

Mahnmal Trier

Memorial Trier

“Warum erinnern?
Wer sich der Unmenschlichkeit nicht erinnern will,
der wird wieder anfällig für neue
Ansteckungsgefahren” .
( Porque se lembrar?
Aqueles que não se recordam da desumanidade
Estão novamente vulneráveis
Aos novos contágios)

Este Memorial ( Mahnmal Trier) existe em Trier, sudoeste da Alemanha. Ele é um memorial judaico para homenagear os que sofreram com o Nacional socialismo na Segunda Guerra Mundial.
 A homenagem abrange o povo judeu da região  Trier dizimado no Holocausto, nos Campos de Concentraçao, aos clérigos da Igreja Catolica e Protestante , aos grupos de jovens católicos na luta contra o nazismo, local que ocupa meu pai, as minorias étnicas como a população cigana da Lituania, os pobres, os deficiente, esterilizados em massa...
Por merito de nosso primo Alois, a sua historia foi incluida no memorial.
Muito nos honra a inclusão da historia de meu pai no Memorial.  A sua luta lhe custou ser perseguido, preso pela Gestapo e ter que emigrar para o Brasil. Muito nos honra a sua integridade,  seus valores.
Este começo de ano foi de grandes turbulências em  nosso Mundo. E a cada dia mais e mais se banaliza a violência.
A Africa esta em um dos momentos mais violentos, um continente mergulhado em problemas, de pobreza, fome, doenças e agora alvo de radicais, dizimando aldeias inteiras. A violência aumenta a cada dia.
A Europa alvo de atentados terroristas radicais. O medo reaparecendo e crescendo a cada dia.
No Brasil a escalada da violência aumenta a cada dia. O trafico sustenta uma  grande violência .
Que possamos relembrar a historia de nosso Mundo para que não deixemos voltar a violência,e  a guerra.
Que possamos relembrar a historia dos que tiveram coragem e heroísmo de lutar contra o Nazismo ou qualquer outra forma de dominação.
Que possamos homenagear os heróis da nossa vida.
A nossa família, família Oliveira Krisam, tem em sua historia muita luta, muitas batalhas, muitas perdas mas muita reconstrução. Uma historia de luta pela vida, com muita seriedade, trabalho, dedicação, fé e amor.
 Link de acesso a pagina de Martin Krisam

Assim que possível postarei em português.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

“Se não buscarmos o impossivel, acabamos por não realizar o possível"






“Se não buscarmos o impossivel, acabamos por não realizar o possível"
Leonardo Boff

Eu sempre digo , quando me perguntam como consigo fazer tantas coisas, que o tempo é diferente para cada pessoa.
Eu trabalho bastante e gosto do meu trabalho.
Eu também trabalho bastante porque gosto de algumas coisas e preciso compra-las.
Eu leio muito, compro muitos livros.
Eu gosto de viajar e ver minhas filhas.
Eu gosto de viajar para conhecer novos lugares ou rever outros
Eu gosto de plantas
Eu gosto de cozinhar.
Eu gosto de um bom vinho ,numa linda taça.
Eu gosto de uma praia.
Eu tenho um quadro com imãs no meu escritorio. Eu coloco algumas fotos, imagens , mensagens e sonhos a realizar.
Eu tenho centenas de sonhos a realizar. Vou realizar todos?
Provavelmente so alguns. As vezes faço uma programação, não da certo e faço outra coisa. Consigo assim realizar muitos dos meus sonhos
Isto é o que interessa: “Se não buscarmos o impossivel, acabamos por não realizar o possível"
Se eu não tivesse passado um longo tempo buscando as minhas raízes alemãs, não estaria agora conhecendo meu primo, pela net, e logo logo, pessoalmente. Fui desanimada por algumas pessoas, mas agora as mesmas pessoas se espantam de eu ter conseguido.
Ai eu me pergunto, se eu não tentasse teria conseguido?
Se eu não trabalhar muito poderia viver minhas vontades?

Viver a vida para mim é como tomar um bom vinho, bebo lentamente, degustando, apreciando. E fica melhor bem acompanhada!!!






quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Ano Novo

Feliz Ano Novo

Feliz 2015

Eu nao acredito que uma simples passagem de 31 de dezembro para 01 de janeiro mudara á minha vida.
 Eu acredito em fé
Eu acredito em trabalho
Eu acredito em estudo
Eu acredito em companheirismo
Eu acredito em luta
Eu acredito em mim mesma
Eu acredito em fé como meu pai, para quem religiao era a igualdade dos povos, a luta pelas minorias, o cuidado com o seu dia, o cuidado com as suas palavras e a responsabilidade por todos aqueles a quem voce se dispos a cuidar: familia, amigos e os que dependem do seu trabalho ou de sua ajuda.
Eu acredito em trabalho como minha mae, incansavel, batalhadora, forte , uma mulher que soube ser exemplo
Eu acredito em estudo nao so da minha profissao como de leituras, de escutar os que muito sabem, a cultura dos povos e aprendendo com a vida
Eu acredito em companheirismo, sim, porque a solidao nao me assusta, mas o companheirismo me alegra a vida
Eu acredito em luta, porque eu sempre digo que nao vim ao mundo a passeio, vim para fazer um pouco a mais do ue acordar e passar o dia
Eu acredito em mim mesma, a cada desanimo, ergo a cabeça resgato a força de meu pai, a doçura de minha irmã, a incansavel luta de minha mae, e  principalmente as mulheres fortes que a seu tempo me antecederam
Vo Catarina que teve muitas perdas e se manteve forte
Vó Leontina que em tempos dificeis soube encaminhar seus filhos
Tia Helena que se manteve forte e foi companheira por cartas de meu pai
Tia Anna que meupai sempre nos contava de sua doçura e cuidados
Tia Maria , de tio Chico sempre firme , uma Oliveira de coracao

Nao vou desejar um Feliz Ano Novo, vou pedir que as pessoas possam olhar para suas vidas e ver o dom de Deus nas gracas de seus entes queridos
Agradeço a Deus pela Flavia, uma filha forte, decidida e que luta pelo que acredita e quer, agradeço a Deus pela Carol que tem a força incrivel de sua avó, incansavel, tambem uma lutadora, agradeço a Deus pela Ma que tem uma força que esta começando a conhecer.
Agtradeço a companhia de Aldo, como diz a mana de um sorriso facil e companheiro forte
Agradeço a Deus por meu primo Alois, que desejo conhecer em breve ,

Obrigada meu Deus

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Então é Natal

 " Nesta noite santa, ao mesmo tempo que contemplamos o Menino Jesus recém-nascido e reclinado numa manjedoura, somos convidados a refletir. Como acolhemos a ternura de Deus? Deixo-me alcançar por Ele, deixo-me abraçar, ou impeço-Lhe de aproximar-Se? «Oh não, eu procuro o Senhor!» – poderíamos replicar. Porém a coisa mais importante não é procurá-Lo, mas deixar que seja Ele a procurar-me, a encontrar-me e a cobrir-me amorosamente das suas carícias. Esta é a pergunta que o Menino nos coloca com a sua mera presença: permito a Deus que me queira bem?
E ainda: temos a coragem de acolher, com ternura, as situações difíceis e os problemas de quem vive ao nosso lado, ou preferimos as soluções impessoais, talvez eficientes mas desprovidas do calor do Evangelho? Quão grande é a necessidade que o mundo tem hoje de ternura! Paciência de Deus, proximidade de Deus, ternura de Deus.
A resposta do cristão não pode ser diferente da que Deus dá à nossa pequenez. A vida deve ser enfrentada com bondade, com mansidão. Quando nos damos conta de que Deus Se enamorou da nossa pequenez, de que Ele mesmo Se faz pequeno para melhor nos encontrar, não podemos deixar de Lhe abrir o nosso coração pedindo-Lhe: «Senhor, ajudai-me a ser como Vós, concedei-me a graça da ternura nas circunstâncias mais duras da vida, dai-me a graça de me aproximar ao ver qualquer necessidade, a graça da mansidão em qualquer conflito»" 

Este é um trecho da Homilia do Papa Francisco, no Natal. Eu li e fiquei a pensar quão dificil é viver com ternura, quão dificil é nas dificuldades da vida, nos momentos de confronto, nas durezas que recebemos, retribuir com ternura.
No meu dia a dia eu me esqueço de que sou tambem eu que desperto no outro a reação e posso doar ternura.Posso deixar de lado a rispidez, a cara fechada ou a indiferença e oferecer um sorriso terno.
Não costumo fazer metas de fim de ano, porque acho que esta epoca pode ser de reflexão, mas é mais de agradecimento. Tenho uma vida plena, plena de amor, familia, amigos , dois gatos e uma profissão que amo .Tenho saude e disposição. Neste ano ainda ganhei o contato com a familia alemã, de meu pai.
A unica meta deste Natal é agradecer o quanto Deus me quer bem.
Obrigada meu Deus

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Feliz Natal


Comemoremos mais uma vez o aniversario de Jesus Cristo, permitindo que ele renasça em nossos corações.

 Peço  suas bênçãos nos  dando:

Paz em minha familia
Paz ao nosso Mundo
Paz ao nosso Brasil
Paz a minha Alemanha
Paz a nossa cidade
Paz a todas as famílias
Paz aos nossos amigos
Paz aos nossos inimigos
Paz em nossos corações

Feliz Natal

 Frohe Weihnachten

domingo, 21 de dezembro de 2014

Esperança e fé

“O mundo não acaba aqui
O mundo ainda está de pé
Enquanto Deus me der a vida
Levarei comigo esperança e fé!”

Ontem fui a uma festa, eu estava bem cansada e fiquei sentada ouvindo a musica.  Alguma pessoas cantando ao som de um violão e um teclado, musicas sertanejas. Umas 8 a 10 pessoas dançando. Eu me desliguei apenas ouvindo as musicas.
Eu me desligo do ambiente e ate de pensar,
. Desta vez comecei a penar o quanto eu não consigo dar atualmente importância ao consumismo do Natal e o quanto tenhp tentado resgatar as minhas tradições. Quando se cria uma família, com filhas , parte da sua tradição se mescla a tradição da família do pai e se forma uma nova tradição , ou se instala o “tanto faz” .
Na infância a historia do Papai Noel preenche o tempo do Natal. A tradição do pai sempre foi a comida , embora eu tenho acrescentado o compartilhar ate do abraço ao comes e bebes.
Atualmente não tinha mais nos últimos anos preparado para mim, um Natal. Ou na casa de um, na casa da outra, visitando a irmã e ai ia levando e chegava o Natal, jantávamos e eu numa oração silenciosa agradecia o ano e retomava á festa.
Este ano inicialmente busquei o que fazer. Nada se completava. U comecei montando a arvore, fazendo bolachas, agradecendo e ai me senti meio desalentada.
Agora ouvindo a musica me veio esta estrofe martelar meu cérebro : “ O mundo não acaba aqui. O mundo ainda esta de pé. .Enquanto Deus me der a vida. Levarei comigo esperança e fé.!”
A musica é  bonita , mas a estrofe é tudo que eu precisava ouvir e sentir no coração.
Levarei comigo esperança e fé.
Foi um ano agitado e meio difícil mas estou finalizando com saúde, filhas estão bem, e eu ganhei um grande presente. Estou em contato coma família e a tradição de meu pai . A tradição pura .
Vou tentar um Natal de esperança e fé.
Esta é a unica foto que tenho de todos juntos 

Obrigada


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Subindo a montanha

SUBINDO A MONTANHA

Ir à busca da minha historia, da historia de vida de minha mãe e de meu pai reavivou a minha memoria.
Estando eu a pensar na vida, me lembrei de que um dia fui conversar com meu pai sobre uma decisão, uma oportunidade. Ele de maneira muito sábia me contou uma ideia de vida.
“a vida é um trem em movimento, com uma estação de partida e uma estação final. Ele não anda em círculos e nem retorna, só segue em frente. Entramos e seguimos e em cada estação, etapa de vida, podemos entrar e seguir em frente ou parar mais um pouco. A oportunidade de seguir não se repetira. Outra oportunidade vira, mas não aquela. Também jamais saberemos o que aquela oportunidade seria no futuro. Decida-se e esqueça as outras estações. Viva a vida”.
Não adianta olhar so para o passado. O passado é minha historia de vida, me significa, e me explica. O presente é o que vivo, e como vivo meu presente depende do quanto vivo bem com a minha historia de vida.
A minha ancestralidade tem muito efeito em minha pessoa. Somos seres sociais e ressignificados pela nossa historia.
Eu tenho pensado as etapas da vida de uma maneira  um pouco diferente. Eu tenho pensado dentro do meu jeito, a caminhada. Subindo uma montanha.
Ao iniciar uma trilha montanha acima , vejo a trilha e imagino a subida. Inicio , cansa bastante mas sigo em frente , tem retas , tem curvas , tem mata, tem chão de terra e ao subir , se desviarmos os ohos só do caminho, seremos abençoados com imagens diferentes  a cada etapa da subida. É so olhar para baixo´ou para tras , ou para cima. Brindes a cada etapa.
Eu sempre gosto de caminhar pensando ou pensar caminhando...
A vida é um misto de programação e de surpresas....que bom
Este pensamento me levou a uma subida de um morro em que me aventurei sozinho, sem muito pensar. Estou em Mertesdorf, Alemanha e resolvo ir a Klusserath onde “rezava a lenda “ eu tinha uma vinícola para encontrar. Na parada do ônibus, sem falar alemão, depois de uma hore tentando ler as indicações encontrei um ônibus para Bekond, que estava na minha memoria este nome, e era metade do caminho à Klusserath. Eu fui. Em Bekond, cidade pequena , de inúmeros pés de maçã, não encontrei um alemão falando inglês, após varias tentativas uma jovem mulher me diz que Klusserath fica a 5 km. Que legal , faço 7 a 8 de caminhada brincando, vai ser fácil, bem fácil.
Eu fui, mas foi um grande engano.
Após 2 km de uma pequena estrada margeando a rodovia, sentindo ate calor, chego a uma encruzilhada e há 2 possibilidades Eu como sou uma boa brasileira escolhi o menor trajeto. Foi um baita engano! A subida é linda mas é pesada e após 200 metros acaba o asfalto e começa uma estrada de terra, de dois metros e meio de largura , não consegue espaço nem para passar um carro . De um lado esta  a montanha com uma mata margeada de arvores de frutas e do outro lado o vinhedo na encosta, praticamente uma ribanceira. Eu subo, como frutas e subo, subo, subo e subo. Pensa em 2,6 km difíceis, um quilometro subindo, seiscentos metros no topo e 01 km descendo.
No topo do morro senti que o cansaço valeu a pena. Eu me sentei no chão e fiquei a obervar a vista, a perder de vista . La embaixo  se ve Klusserath e o vale do Mosela. Que magnifica visão. Valeu o cansaço

Não achei a vinícola, nem os parentes. Pensei comigo: quem sabe na próxima vez!!


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Wein ist Poesie in Flaschen


Wein ist Poesie in Flaschen”
Frase de Robert Louis Stevenson
Vinho é poesia engarrafada.

Eu sempre gostei de uva, suco de uvas e vinhos. Um bom suco e um bom vinho.
Esta frase é do site de um Krisam: Hermann Krisam , do Weingut Krisam ( vinícola Krisam) em Klusserath, no vale do rio Mosela na Alemanha.
Na foto antigas minhas tias colhendo uvas em Mertesdorf Alemanha ....Tias anna e Helena Krisam
Nas historias de meu pai , nos sempre ouvíamos sobre o plantio e a colheita da uva. E sobre o vinho.
Eu gosto de vinho , gosto de degustar um bom vinho. Ai são duas taças com comida, ou melhor com queijo, quem sabe batatas. Vinho combina ate com sobremesas.

Agora um jeito maravilhoso de tomar uma taça de vinho , é acompanhado de um livro fantástico e um CD de Beethoven....precisa mais?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Wunderbar


Um desafio


Ha 1 semana atras eu me propus um desafio.
Eu resolvi fazer um jantar para o termino do curso de alemao , um jantar alemão.
O desafio não era cozinhar, isto eu faço por prazer. Eu adoro cozinhar.
O desafio era cozinhar com o que me lembro da culinária alemã que minha mae cozinhava, e com o que meu pai a ensinava .( receitas da Alemanha talvez?) e também o que fui atrás para aprender. Eu cozinhei como se estivesse no passado, usei so temperos naturais, ate da minha hortinha, sem químicas , sem latas.  Ate a nata foi natural, e não creme de leite.
Eu não tenho o habito ( hoje frequente nas redes sociais) de fotografar comida. Entao vocês terão que se contentar com  o meu relato.
Eu fiz costelinha de porco assada, divinas e lentamente regadas ao vinho ate ficarem douradas e muito macias.
Eu fiz um goulash com a carne cozida lentamente no molho de tomates e páprica ( lentamente em 3 horas).
Batatas, muitas batatas, um saborosíssimo bolo de batata, receita que minha mae sempre soube fazer e batatas na nata e queijo.
Como uma boa filha de alemão não poderia faltar o chucrutes. Eu adoro chucrutes.
E maçãs assadas com passas e canela. E de sobremesa torta de amora.
Com tudo isso, um bom vinho ( faltou o vinho do Mosela)
O que mais me alegrou foi a minha professora de alemão, que já  varias vezes ficou na Alemanha, dizer que o meu tempero estava com o mesmo gosto da Alemanha.
E recebi com muitas velas acesas espalhadas.
Um viva a tradição!!



Wunderbar!!!!!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

eu e eu

Visita


Envelheceu o nosso pai,
Se fez longínquo.
De olhos abertos
Dorme o sono das pedras,
Seu reino é uma ilha.
Ele sabe o nosso horror
Debaixo do sorriso,
Tudo ele vê, toca, atravessa,
Nossa bruma,
Nossa mão escondida.
O silêncio está tão perto,
Nós fechamos os ouvidos.
Ele passa lentamente,
Envergonha a nossa pressa
E se retira.
A penumbra de cada visita
Nos dai hoje,
Rezamos (sem rezar)
Todos os dias.  ( Mariana Ianelli)

Este poema me reportou aos meus pais ,principalmente  meu pai que se foi da nossa presença há mais tempo.
Eu converso com ele sempre que me sinto ansiosa com algum problema, ou me sentindo meio só. Ele sabe do que preciso . Nesta interlocução silenciosa eu mato minha saudade. Converso como se junto estivesse. No silencio encontro a minha resposta.
Pai... me significa muito.
Sou um ser social...sou um ser familiar

A minha historia me formou, e me forma a cada dia. A minha ancestralidade me significa e ressignifica. Mato a saudade conversando em silencio, e a cada dia mais mergulhando em minha historia, me reencontro com meu pai. Meus avós, tias e tios e primos se fazem presente mais concretamente em meu viver. É uma cadeia que se une ao meu viver. Eu sou assim. Um ser forte e denso em minha historia e um ser  mutante evoluindo , crescendo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

De novo é NATAL

De novo é NATAL...

Como eu gosto do Natal.
Não das festas e dos presentes. Não me prendo a isto.
Eu gosto do tempo do Natal, como sempre digo.
Mas este foi um ano significativo, para melhor e para pior. A sociedade como um todo, esta em crise. O negativismo impera.
Como é difícil este jeito de ver o mundo. As redes sociais estão infestadas de mensagens ruins, repetidas e recolocadas, mensagens religiosas, ate agressivas (se acredita curte ou compartilha), como se isto fosse religião e mensagens e imagens de alegrias extremas, nem sempre reais que causam um estrago em quem não as sente ou tem.
Eu prefiro me preparar para o Natal, respeitando o tempo do Advento.
Advento é o tempo de preparo para o Natal, simbolicamente para a chegada do menino Jesus em nossas vidas.
È um período de espera e de esperança. Tempo de espera, mas tempo principalmente de se preparar alegremente para a vinda do Senhor.
Advento é também tempo de vigilância. Tempo de vigiar nossas ações e nossos pensamentos. Não é ter medo, é ter consciência  que só é possível melhorar, vigiando e mudando.
Mais do que presentes e ceia precisamos de doação. Doação de amor, de compreensão, de presença, de abraço e de esperança.
Isto é NATAL.




terça-feira, 9 de dezembro de 2014

MÂOS

Há anos eu não pensava a respeito das minhas mãos. A idade me deu manchas , como em todas as branquelas, mas não me incomodam. Minhas mãos são magras de dedos longos.
No começo da adolescência as piadinhas com minha mãos magras me entristeceram . Fui chorosa para casa e ai meu pai , com sua infinita  paciência, vem me explicar que mãos são como a face, diferentes a  cada um. Expressam o seu tipo. Ele me convenceu. Eu gosto das minhas mãos.
Ah! As mãos!!
Mãos que tocam e mãos que seguram
Mãos que semeiam e mãos que colhem
Mãos que tocam piano e mãos que cozinham
Maos que bordam e mãos que pintam
Mãos que afagam e mãos que apoiam
Mãos que buscam e mãos que se encontram
Ah! As mãos!!
Agora recebo um email do primo , que breve verei pessoalmente, que me diz:
“Auf dem einen Bild sieht man auch ihre Hand, lange, schmale Krisam-Hände, die meine Schwestern auch haben, Du hast diese schönen Hände auch, weil Du eine Krisam bist”  Traduzindo:  “ por uma foto  pude ver sua mao, mãos longas e estreitas , dos Krisam. As minhas irmãs também as tem. Voce tem essas belas mãos também , porque é uma Krisam”
Eu me senti honrada e muito feliz.

Eu tenho muito orgulho de ser uma Oliveira - Krisam
 Tia Ana e Tia Helena
Ana Helena( herdei os nomes tambem

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Meu pai

Meu pai

Estou recebendo fotos e documentos de meu pai e da família paterna. Ele, como eu já disse, foi um diretor diocesano na cidade de Trier, no sudoeste da Alemanha. As informações sempre foram relatos de meu pai, historias contadas nos finais de tarde.

Agora tudo vai se completando se tornando visual. Estou vendo as fotos e lendo os textos.
As fotos sao do periodo em que Martin Krisam , nosso pai,esteve junto com amigos de mesmo ideal em Trier, em uma luta contra o radicalismo do Nacionalsocialismo de Hitler em 1935. Isto lhe custou ter que emigrar , em exilio para o Brasil, deixando a familia e a Patria. Aqui foi acolhido e tivemos uma bela familia
Rigido em seus principios, é meu exemplo e meu heroi





Preservar ou modernizar?

Preservar ou modernizar?

                É possível o progresso e a modernização sem afetar a natureza? Eu sempre me pergunto se isto é possível, as vezes quando eu vejo  uma cachoeira que depois foi transformada em clube ate com desvio do leito do rio e realmente acho que perdeu quase toda a beleza.  Outra vez passando pela mesma estrada nas minhas ultimas férias eu  vi um morro  que eu sempre achei lindo com seus pinheiros, retalhado para se tornar um condomínio. Boa  parte das arvores nativas foram cortadas para fazer uma alameda seguindo o “design” , a tendência em jardins do momento.
                Há muitos anos atrás visitamos a cidade de Primavera do Leste junto com minha irmã, que estava de férias no Mato Grosso. Os garimpeiros da região, nos contaram que um pouco antes da cidade  se virássemos a esquerda em uma estrada de terra que dava acesso ao garimpo encontraríamos uma lagoa de água quente.  Fomos. Realmente uma lagoa na beira da estradinha de água quente, com fundo de areia , temperatura de mais de 40 graus centigrados e a água se turvou com a nossa entrada por mobilizar a areia do fundo. Era lindo o lugar, a água uma delicia e cercada pela natureza.
                Voltamos a região , agora sem a irmã, e o que encontramos? Um balneário de águas quentes, sem paisagismo, sem preservação da mata que a rodeava e sem nem mesmo uma foto do passado. Eu nem entrei, iria perder a imagem do passado.
                Eu vou continuar achando que não é difícil de explicar desmoronamento em morro desmatado , é ate esperado que ocorra. Tambem não é de se estranhar que crianças destruam a natureza. Elas so vão aprender se virem nos adultos preservando , conservando, jogando lixo no lixo , reciclando e replantando.
                E reaproveitando.
                Ontem na aula de alemão , uma pergunta banal: você compraria uma arvore?, completada pela professora: uma arvore de Natal?
                Respondi, em alemão, logico que não, a mesma arvore de Natal sera usada por anos. As vezes acrescento uma ou outra bola, ou um ou outro laço.
Alias eu não entendo comprar uma arvore pronta, linda, mas cade o espirito do Natal na família? O montar tem um significado de preparar a casa para o Advento, desmontar e guardar cuidadosamente significa  o cuidado que você tem com suas coisas e o quanto você as valoriza.
Isto vale para os brinquedos das crianças. Conversando com minha irmã, eu me lembrei de uma boneca de borracha de cabelos encaracolados a qual dei o nome de Marta Rocha, em homenagem a nossa miss Brasil.  Ela foi minha boneca favorita, e única por anos. Quando sobrava um retalho de tecido mamãe fazia uma roupinha nova. Beth também tinha a sua.  A bola era compartilhada.  Tudo que existia no quintal virava brinquedo, fogãozinho. Potinhos reaproveitados, retalhos, moveis de caixa de fosforo.
Hoje criança descarta brinquedo porque ganha toda hora , sem sentido. Compra na mesma proporção  que joga fora, como se fosse descartável.
Nas zonas de guerra  a vida esta se tornando descartável
Preservar ou modernizar? Preservar sempre. Modernizar  respeitando e preservando.




segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

È dezembro


É dezembro de novo. Eu amo dezembro . Este é um mes especial. Eu adoro o mes de dezembro com o Natal, as ruas ficam bonitas , as lojas enfeitadas e o sorriso é mais frequentes nos rostos.
Este é o mes do Advento, eu que sou catolica tambem gosto do simbolismo do Natal, da espera e da chegada.
Eu nao preciso de presentes, acho isto desnecessario e consumista. Embora este ano ganhei um grande presente. Iniciei um contato e ja me sinto amiga e realmente parente deste primo Alois. Ele mora do outro lado do mundo, no sudoeste da Alemanha em Trier e esta generosamente me presenteando com a minha historia. Danke schon!!!
Dezembro é um mes que me reporta à minha infancia. Infancia de estudar bastante, de brincar muito, de cuidar e curtir uma horta, de criar bichos.
Dezembro de montar arvore de Natal, com todo mundo junto, mae , pais e eu e minha irma Beth. As bolas eram muito finas e quebravam com facilidade e papai as amarrava na arvore e a gente curtia o momento, uma a uma. Na nossa infancia nao havia desperdicio , o papel de seda que embrulhava as bolas era dobrado e seria usado mais uma vez. Cabia a nos crianças colocar delicadamente o algodao nos galhos para simular a neve. Faziamos este trabalho ouvindo os LPs de musicas de Natal. Noite Feliz era a minha predileta.
Nunca vimos neve mas a neve fazia parte das historias de Natal  da infancia de nosso pai e as escutavamos avidamente.
Na vespera do Natal a casa cheirava a porco assado, bolachas de Natal ( que a mamae fazia) e bolo
Tambem era epoca de comer nozes e castanhas portuguesas cozidas.
Comiamos e iamos a missa do galo. A  missa tambem era linda, com velas, o presepio e musicas de Natal.
Ah! que memoria boa .

Beth em 2012 fez uma arvore parecida com a da nossa infancia e eu caprichei no jantar e fomos a missa campal da praia. Revivemos nossa tradicao! Faltou so o algodao !!


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

beth

Minha irmã

Ah como é bom ter uma irmã
Beth  e eu convivemos em uma infancia muito gostosa
uma adolescencia tambem muito gostoso
agora na maturidade nos vemos pouco, conversamos bastante mas o amor nao diminui nem a saudade
Mergulhar na historia de nossos pais, no Brasil e na Alemanha nos fez relembrarmos tudo